"Na democracia, o processo de formação das políticas públicas demanda participação de todos os segmentos da sociedade civil, informação confiável, representação qualificada, transparência e ética."
 
  Confederação Nacional do Petróleo, Gás Natural, Biocombustíveis e Energias Renováveis
 
 A Serviço do Desenvolvimento do BRASIL 

Dr. Marcílio Novaes Maxxon

 

 



     

 
 
 
 
 
 
 
Dr. Marcílio Novaes Maxxon
 
"O combate à corrupção está intimamente vinculado à transparência". 

[Foto:]

INTELIGÊNCIA VERDE
Compromisso com a Sustentabilidade

AFP 
 
A catástrofe no Golfo do México, evidencia os riscos da perfuração de poços em águas profundas, com "riscos que aumentam na medida em que se torna mais difícil a extração" do petróleo. Presidente BARACK OBAMA, em 02/06/2010,  em discurso na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh.
 
No fim de semana passado, o jornal "The New York Times" publicou uma matéria com informações de que a empresa responsável pelo derramamento, a British Petroleum (BP), já causava preocupações sobre a segurança do poço desde o ano passado, em particular sobre a válvula que devia fechar o fluxo de petróleo em caso de acidente, que não funcionou em abril. 

Meio Ambiente | 30.05.2010 /DOSSIÊ CONPETRO Sobre acidente nas águas do Golfo do México. Por Marcílio Novaes Maxxon 

Cadastro MonsantoCONPETRO
Esse Mundo é Seu.

03/06/2010 - 15h11

Petroleira corta oleoduto para conter vazamento no Golfo do México

A petroleira British Petroleum (BP) anunciou nesta quinta-feira (03/06) que cortou o oleoduto danificado da plataforma que explodiu em abril no Golfo do México e despejou milhões de litros de petróleo na região.

A medida era considerada pelo governo americano um passo fundamental para conter o vazamento no Golfo do México.

O oficial americano que monitora as operações no local, Thad Allen, afirmou que uma espécie de funil para desviar o petróleo do vazamento seria instalada no oleoduto ainda nesta quinta-feira. A BP espera canalizar o petróleo que vaza para um navio na superfície.

De acordo com Allen, a BP usou ferramentas semelhantes a tesouras gigantes, operadas por robôs submarinos, para cortar o oleoduto a cerca de 1,5 mil metros de profundidade.

Custos A empresa também anunciou que pagará os custos da construção de uma barreira de areia para impedir que a mancha de petróleo chegue a áreas pantanosas do Estado da Louisiana.

Especialistas avaliam que o ecossistema da região é frágil e, caso a área seja atingida pelo vazamento, seria muito difícil despoluir o local.

Na quarta-feira, a mancha de petróleo já podia ser vista a apenas cerca de 15 km da região. O governador do Estado, Bobby Jindal, tem acusado o governo federal de demorar para responder à crise ambiental desencadeada pelo vazamento.

O presidente da BP, Tony Hayward, reconheceu que as críticas de que a empresa estava despreparada para lidar com o vazamento subterrâneo são justas.

Dois senadores democratas pediram que a petroleira suspenda o pagamento de lucros avaliados em US$ 10 bilhões a seus acionistas, até que os custos de limpeza e indenização da região atingida sejam pagos.

A BP calcula que já gastou US$ 990 milhões em operações de limpeza. A construção da barreira de areia deve aumentar os custos da empresa para US$ 1,4 bilhão.
Veja as fotos do golfo do México:
CONPETRO 

La petrolera BP ha anunciado que ha conseguido cortar la tubería por la que escapa el vertido

 
CONPETRO

Submarinos operando sobre la tubería desde la que sale el vertido

 

Vehículos submarinos tratando de cortar la tubería desde la que sale el vertido

 
JRB.ZJ

Una sierra montada sobre una máquina por control remoto corta el tubo vertical en el lugar de la fuga de petróleo en el Golfo de México.

BP corta la tuberia por la que sale el vertido de petróleo en el Golfo de México

 
JRB/zj

El siguiente paso es colocar una caja contenedora para recoger el crudo.

 

La Guardia Costera ha advertido de que el corte es irregular lo que podría dificultar las labores para colocar el recipiente con el que pretende recoger el crudo para transportarlo después a un barco en la superficie.

BP corta la tuberia por la que sale el vertido de petróleo en el Golfo de México

 
 

El vertido de crudo de BP ha provocado ya el peor desastre ecológico de la historia de Estados Unidos.

Maior desastre ambiental da história dos EUA desafia governo Obama

 
CONPETRO
 

O petróleo que há mais 40 dias jorra nas águas do Golfo do México mancha a imagem de gerenciador de crises de Obama e coloca o presidente diante do maior desafio de seu governo.

 

A imagem do decidido gerenciador de crises, cultivada pelo presidente Barack Obama desde a chegada ao poder, está sendo manchada pelas milhares de toneladas de petróleo que jorram diariamente nas águas do Golfo do México.

Na opinião de muitos analistas políticos, a maré de óleo será para Obama o que o furacão Katrina foi para o seu antecessor. "Obama tem um problema político. A mancha de petróleo vai grudar nos seus sapatos com a mesma tenacidade que a falta de gerenciamento após o furacão Katrina grudou nos do antecessor George W. Bush", escreveu o jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Os críticos acusam o presidente de mau gerenciamento da crise, de ter encarado o problema de forma hesitante e tardia. Pior do que isso: pouco antes do desastre, Obama se colocou ao lado da indústria, defendendo claramente a extração de petróleo em águas profundas. "Eu me enganei", diz ele hoje.

E o fato é que não há muito que Obama possa fazer além de elevar a pressão sobre a petroleira BP para que feche de uma vez o buraco por onde jorram entre 1.600 e 3.400 toneladas de óleo cru no mar todos os dias, segundo estimativas. É a indústria, e não o governo, que detém o know-how para as explorações em águas profundas.

"Há quase dois anos, foi uma crise que guindou Obama à Casa Branca. E agora uma crise pode colar na sua administração a pior e mais duradoura mancha. O cool gerenciador de crises (…) [de 2008] simplesmente não sabe o que fazer contra a mancha de óleo no Golfo do México em 2010", avaliou o jornal alemão Handelsblatt.

 

Obama visita praia afetada pelo vazamento de óleo em LouisianaBildunterschrift: Obama visita praia afetada pelo vazamento de óleo em Louisiana

 

"Vocês não serão abandonados"

 

Marée noire du Prestige © Denis Delbecq

CONPETRO


Funcionário da British Petroleum tenta conter vazamento de óleo no Golfo

Obama reagiu às críticas. "Eu assumo a responsabilidade", afirmou numa entrevista coletiva para a imprensa, na quinta-feira passada. E anunciou a prorrogação por seis meses da moratória para perfurações em águas profundas na região do Golfo do México.

"Aqueles que pensam que fomos lentos na resposta ou que falhamos na urgência desconhecem os fatos", afirmou Obama. "Essa tem sido a nossa mais alta prioridade desde o início da crise."

Na sexta-feira, Obama viajou para as regiões atingidas – foi apenas a segunda viagem em 40 dias de desastre. Na região costeira do estado de Louisiana, Obama conversou com pescadores, moradores e políticos locais. "Estou aqui para dizer a vocês que não estão sozinhos. Vocês não serão abandonados."

A mensagem é especialmente importante para a região, cujos habitantes ainda trazem vivas na memória as lembranças da devastação causada pelo Katrina, que destruiu a capital Nova Orleans.

 

Fracasso e nova tentativa

 

A sorte, porém, não está do lado do presidente. Neste sábado, a BP anunciou o fracasso da operação Top Kill, destinada a conter o vazamento. A operação, complicada e sem precedentes à profundidade de 1.500 metros, consistia em enviar para dentro do poço uma espécie de lama, formada com a mistura de água e de matérias sólidas.

Até bolas de golfe, pedaços de pneus e cordas foram usados pela BP para tentar bloquear o vazamento. Quando ele parasse, seria necessário cimentar o buraco.

Obama anunciou o fracasso neste sábado: "Se no início recebemos relatos positivos sobre o procedimento, agora está claro que ele não funcionou". Com isso, a BP se voltou para uma nova tentativa. Ela poderá levar até mais de quatro dias para ser posta em prática, afirmou o diretor de operações da empresa, Doug Suttles.

Segundo ele, o novo método consiste em enviar robôs ao fundo do mar. Eles deverão serrar os tubos danificados do poço e depois cobrir o local com uma estrutura que permita capturar o petróleo e posteriormente transferi-lo para um navio.

"Este método não está isento de riscos e nunca foi testado anteriormente a esta profundidade", recordou o presidente norte-americano. "Foi por isso que não foi posto em prática antes de todas as outras opções terem sido tentadas. Será difícil e demorará vários dias", advertiu.

Nas palavras da assessora para energia de Obama, Carol Browner, o governo está preparado para o pior. "Poderá haver petróleo vazando até agosto", declarou à emissora de televisão NBC. "Este é provavelmente o pior desastre ambiental que já enfrentamos neste país."

Em resposta a críticas, Obama visita região afetada pelo vazamento de petróleo

20 mil em ação contra a onda de petróleo

20 mil em ação contra a onda de petróleo

 

Primeiro lama, depois pneus, cordas e outros dejetos: técnicos da companhia petrolífera continuam esforços para conter o vazamento diário de 3 milhões de litros de petróleo. Entretanto ainda sem garantia de sucesso.

Presidente Obama com especialistas nas praias poluídas pelo óleo; presidente Obama na Grand Island, Louisiana, ilha especialmente afetada pela onda negra. Todas as redes de notícias norte-americanas mostram essas imagens, sublinham o empenho de seu chefe de Estado em debelar a catástrofe ambiental provocada pela explosão da plataforma petrolífera no Golfo do México, há mais de cinco semanas. Nos últimos dias, mais da metade da população avaliou de forma negativa o empenho presidencial.

Com sua segunda visita à região de crise, Barack Obama procura relativizar a crítica de que ele teria demorado demais a se ocupar do assunto. Na Grand Island, assegurou que os esforços em prol da população do Golfo continuarão, mesmo "quando as câmeras não mais estiverem aqui". E prometeu ajuda concreta aos necessitados que eventualmente fracassem diante dos obstáculos burocráticos.

Pneus contra vazamento

Enquanto isso, a companhia BP continua tentando conter o fluxo de óleo cru a 1.500 metros de profundidade. Na segunda fase da operação Top Kill, iniciada na manhã deste sábado (29/05), os técnicos usam uma mistura de restos de pneus, cordas e outros dejetos semelhantes para obturar o orifício. Com sucesso pelo menos parcial, anunciou o presidente da BP, Tony Hayward.

"As medições de pressão na válvula gigante no fundo do mar, o blowout preventer, indicaram que parte [dos dejetos] ficou retida no orifício de extração. Esta é uma boa notícia."

Numa fase seguinte, será bombeada mais lama de prospecção para dentro do orifício submarino. Hayward parte do princípio de que o que escapa no momento seja sobretudo essa lama, e não óleo. Na sexta-feira, ele assinalara só poder calcular as perspectivas de sucesso em 60% a 70%: até uma avaliação definitiva, seria preciso esperar cerca de 48 horas. Contudo, neste sábado, Tom Mueller, porta-voz da companhia petroleira britânica, declarou ser ainda totalmente impossível estimar a duração total da Top Kill.

Batendo recordes

Vazamento continua a 1.500 metros de profundidadeBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Vazamento continua a 1.500 metros de profundidade

O alastramento do petróleo já quebra todos os recordes. De acordo com a edição de sábado do jornal Washington Post, cientistas apontaram o aparecimento de uma enorme coluna de óleo cru 120 quilômetros a noroeste do local onde afundou a plataforma de prospecção Deepwater Horizon. Trata-se já da terceira ocorrência do gênero, porém a primeira registrada a tão grande distância do local do desastre.

Segundo estimativas de Washington, mais de 3 milhões de litros de óleo cru fluem diariamente para o Golfo do México. Diante desses números, até o próprio presidente da BP finalmente admite estar ocorrendo uma catástrofe ambiental. Dez dias atrás, ele falava apenas de danos moderados para o meio ambiente.

A onda de óleo já alcançou as costas dos estados de Louisiana e Alabama, numa extensão de 250 quilômetros, atingindo também praias e pântanos, cuja importância ambiental é grande. Já foram erguidos mil quilômetros de barreiras flutuantes antipetróleo, e Obama autorizou a instalação de mais artefatos do gênero.

Há 20 mil pessoas envolvidas no combate à catástrofe, e sua atividade continuará, mesmo depois de o vazamento ter sido eventualmente contido, declarou o presidente. A União Europeia, a Espanha e a Holanda ofereceram aos EUA equipamento para os trabalhos de limpeza. A Comissão declarou haver recebido da guarda costeira estadunidense um pedido para que a ajude na coleta do petróleo.

EUA dizem que vazamento de petróleo é pior do que estimativa inicial

 
 

Novos cálculos apontam que o desastre no Golfo do México pode ser maior do que o do Exxon Valdez, em 1989. BP consegue bloquear temporariamente o vazamento, mas mantém cautela sobre o sucesso da operação.

 

Vinte e quatro horas depois do início da operação Top Kill, comandada pela petroleira britânica BP para conter o vazamento de petróleo no Golfo do México, ainda não estava claro se a intervenção fora bem-sucedida.

Na manhã desta quinta-feira (27/05), autoridades americanas anunciaram que o vazamento havia sido contido. "Eles conseguiram estabilizar a entrada do poço, eles estão jogando lama lá dentro. Eles interromperam a saída dos hidrocarbonetos", declarou Thad Allen, chefe da Guarda Costeira, que coordena as ações de combate, a uma rádio americana.

No entanto, o feito foi comunicado com cautela: "Todos estão cautelosamente otimistas, não há motivo para se declarar vitória ainda. Nós precisamos acompanhar a situação com muitíssimo cuidado", adicionou Allen.

Um porta-voz da BP também disse mais tarde que a operação continuava e que não havia confirmação de sucesso. Numa entrevista a uma emissora americana, Robert Dudley, diretor da BP, foi cauteloso e disse apenas que a Top Kill estava decorrendo da maneira prevista.

A operação da BP, empresa britânica que explorava a poço a partir de uma plataforma em águas profundas, começou na tarde da última quarta-feira. A ação consiste em injetar no poço uma mistura composta por água, matéria sólida e barita para, depois, selar o poço com cimento.

Segundo Allen, os engenheiros que trabalham na operação conseguiram injetar lama o suficiente na ruptura para reduzir a pressão e evitar que o petróleo e o gás escapassem.

Foto registrada em 6 de meio mostra mancha provocada por vazamentoBildunterschrift: Foto registrada em 6 de meio mostra mancha provocada por vazamentoEscala do acidente

Autoridades americanas disseram que a extensão do desastre é muito maior do que o anteriormente calculado. Marcia McNutt, diretora do Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos, disse nesta quinta-feira que entre 12 mil a 25 mil barris de petróleo – 1,9 milhão de litros a 3,97 milhões de litros – estão sendo despejados diariamente no Golfo do México.

A estimativa é preliminar, ressaltou McNutt. O cálculo é uma situação complexa e dinâmica, acrescentou.

A BP havia estimado, anteriormente, que o vazamento do poço estaria liberando cerca de 5 mil barris por dia. A empresa não quis comentar os números anunciados por McNutt.

A explosão da plataforma Deepwater Horizont, ocorrida em 20 de abril último, provocou a morte de 11 pessoas e ocasionou uma ruptura no poço, que passou a liberar petróleo no mar.

Se os dados apresentados por McNutt se confirmarem, o vazamento no Golfo do México será o pior acidente do tipo nos Estados Unidos. Em março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez chocou-se com um recife no Alaska e despejou aproximadamente 260 mil barris de óleo no mar.

McNutt calcula que 270 mil barris já vazaram para o mar desde a explosão da plataforma Deepwater Horizont.

Suspensão

Depois de a contaminação ter atingido 160 quilômetros da costa americana, o presidente Barack Obama estendeu para seis meses a suspensão das atividades de abertura de poços em águas profundas.

Os planos de exploração de petróleo na costa do Alasca também devem ser adiados até que uma comissão presidencial faça uma nova avaliação. Os projetos para conceder direitos de exploração na parte oeste do Golfo do México e da costa da Virgínia também estão cancelados.

Site da BP mostra operação Top Kill ao vivo Bildunterschrift: Site da BP mostra operação Top Kill ao vivo Efeitos do desastre

Também nesta quinta, a chefe da agência que supervisiona explorações de petróleo em águas profundas renunciou diante da situação problemática. Elizabeth Birnbaum deixou o posto horas antes da coletiva de imprensa sobre o vazamento, concedida por Obama.

O Serviço de Gerenciamento de Minerais, comandado por Birnbaum, foi duramente criticado por legisladores de ambos os partidos americanos, que a acusaram de fazer uma fraca supervisão da atividade nos postos de perfuração e de manter relação próxima com a indústria.

 

Consequências da mancha de óleo na costa dos EUA são imprevisíveis

 

Desde que a plataforma petrolífera Deepwater Horizon explodiu no Golfo do México, a cada dia vazam cerca de 800 mil litros de petróleo no mar. Alemães avaliam consequências da mancha de óleo no litoral dos EUA.

 

As consequências são dramáticas, e as medidas de contenção tomadas pela petroleira britânica British Petroleum (BP) já estão sendo consideradas insuficientes pelo governo dos Estados Unidos.

Desde a explosão da plataforma, no dia 20 de abril, demorou um mês para que a mancha de óleo atingisse o continente americano. Só agora se tornaram nítidos, na costa do estado de Louisiana, os efeitos da que já se considera da maior catástrofe ambiental envolvendo petróleo da história.

 

Plataforma explodiu dia 20 de abrilBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Plataforma explodiu dia 20 de abril

 

Jörg Feddern, biólogo da organização de proteção ambiental Greenpeace, explica que as primeiras vítimas da catástrofe são as aves. "Ao entrarem em contato com o petróleo, elas morrem em grande parte, pois as penas colam e os pássaros se envenenam ao limpá-las com o bico." Além disso, o óleo também destrói sargaços e mangues.

As regiões costeiras são extremamente difíceis de limpar, complementa Feddern. "Os rios são extremamente ramificados, e há ainda a vegetação, juncais e mangues... É impossível eliminar esse óleo, a não ser por processos naturais de decomposição. E isso pode durar anos, se não décadas", constata o biólogo.

No entanto, há especialistas menos pessimistas. O professor Lorenz Schwark, geoquímico da Universidade de Kiel, remete à capacidade de regeneração dos ecossistemas. "Em muitos casos, é impressionante a rapidez da fase de regeneração. Depois da guerra do Iraque, supunha-se que os âmbitos marinhos afetados pelo petróleo demorariam décadas para se recuperar; mas hoje essas regiões praticamente já retornaram à situação anterior à catástrofe", informa.

 

Petróleo polui pântanos em LouisianaBildunterschrift: Petróleo polui pântanos em Louisiana

 

Efeitos colaterais de dispersantes podem ser graves

 

Para que a menor quantidade possível de petróleo atingisse o litoral, as autoridades ambientais norte-americanas permitiram que o conglomerado petrolífero BP, administrador da plataforma destruída, usasse produtos químicos que quebram as ligações moleculares do óleo.

A BP considerou um êxito a utilização do dispersante Corexit, considerando-o completamente inofensivo, atóxico e biodegradável. No entanto, biólogos marinhos e ambientalistas como Jörg Feddern veem isso por outro ângulo.

"Dispersantes não são inofensivos. Sabemos que o processo de decomposição dessas substâncias é tóxico, venenoso. Por exemplo, se uma catástrofe dessas ocorresse no golfo de Kiel, no norte da Alemanha, as autoridades não utilizariam esse dispersante, porque os danos simplesmente seriam maiores do que os benefícios", afirma Feddern.

Na última semana, as autoridades ambientais norte-americanas deram um ultimato à BP para que suspendesse a partir desta segunda-feira (24/05) o uso de Corexit, por não poder prever com exatidão seus efeitos colaterais.

Especialistas advertem que o petróleo diluído pelo dispersante continua atuando de forma prejudicial em nível subaquático. "Isso acontece porque o petróleo atravessa toda a coluna de água e tudo o que ali habita: plâncton, microorganismos, peixes. Tudo acaba sendo contaminado por esse óleo", descreve Feddern.

 

Ativista do Greenpeace coleta amostras de óleo na foz do Mississippi, na costa de LouisianaBildunterschrift: Ativista do Greenpeace coleta amostras de óleo na foz do Mississippi, na costa de Louisiana

 

Consequências imprevisíveis

Outro problema surge com a decomposição do óleo por meio de bactérias subaquáticas. Esse processo reduz drasticamente o teor de oxigênio da água. "Para os organismos que precisam de oxigênio, como peixes ou microorganismos, isso é um enorme problema. Muitos cientistas temem que se formem zonas sem oxigênio, 'zonas da morte', mas nem isso é certo", diz o biólogo do Greenpeace especializado em catástrofes de petróleo.

A verdade é que ninguém pode avaliar com exatidão a proporção dos danos ambientais causados pela imersão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon. Afinal, é a primeira vez na história que acontece uma catástrofe destas dimensões.

 

BP tem que pagar conta dos danos por vazamento de petróleo, diz Obama

 
 

Mancha que já atingiu o estado da Louisiana ameaça também a Flórida, Alabama e Mississipi. BP ainda tenta fechar o poço que despeja cerca de 200 mil galões de petróleo diariamente no mar.

 

Sob ameaça de "um desastre ambiental sem precedentes", segundo o próprio Barack Obama, o estado de Louisiana, na costa sul dos Estados Unidos é um dos primeiros a ser atingido pela mancha de óleo que se espalha pelo Golfo do México desde 20 de abril.

Neste domingo (02/05), o presidente dos Estados Unidos afirmou que a companhia inglesa de petróleo BP, que fazia a exploração na plataforma que explodiu no mês passado, é a responsável pelo vazamento e terá que pagar pela despoluição da área atingida.

"O óleo que continua vazando pode prejudicar seriamente a economia e o meio ambiente dos nossos estados do Golfo. E pode se estender por um período longo. Pode ameaçar a moradia de milhares de americanos que vivem aqui", declarou Obama durante sua visita a Venice, no estado de Louisiana.

O presidente quis ver de perto o risco que se aproxima da cidade portuária de 400 habitantes que dependem da pesca. O vento forte e a chuva que caem na região desde domingo impossibilitam momentaneamente a operação de contenção da mancha.

A poluição chegou ao limite do estado da Louisiana ainda na última sexta-feira. A pesca na região está proibida. O governo federal promete ajuda à população local, já que a principal atividade econômica está suspensa.

Trabalho da BP

Obama discursa debaixo de chuvaBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Obama discursa debaixo de chuva

A plataforma de exploração de petróleo da BP Deep Water Horizon, localizada no Golfo do México, explodiu em 20 de abril último, matando 11 trabalhadores e afundando dois dias depois. O vazamento de óleo desde então se espalha e ameaça, além de Louisiana, os estados da Flórida, Alabama e Mississipi.

A companhia usa submarinos controlados remotamente para tentar fechar o poço de petróleo a 1.500 metros de profundidade. A operação, segundo o presidente da BP Lamar McKay, se compara a "uma cirurgiã do coração no escuro".

A empresa britânica reconheceu que a liberação de petróleo no mar ocorreu devido a uma falha no equipamento que veda o poço petrolífero em caso de ruptura.

Segundo McKay, os engenheiros da BP estão finalizando a construção de uma cúpula de contenção que ajudará a mitigar o desastre, que deverá estar em operação nos próximos seis a oito dias.

Enquanto isso, aproximadamente 200 mil galões de petróleo cru estão sendo despejados no mar diariamente.

Prospecções muito profundas ameaçam meio ambiente, diz especialista

 

Segundo especialistas alemães, prospecção de petróleo em grandes profundidades aumenta riscos para meio ambiente. Catástrofe ambiental no Golfo do México pode vir a superar danos com acidente do Exxon Valdez.

 

As primeiras manchas do óleo derramado no Golfo do México chegaram nesta sexta-feira (30/4) à costa do estado norte-americano de Louisiana, e ameaçam um ecossistema único do Delta do Mississipi. Habitantes da área temem por sua subsistência, devido às diversas tentativas sem sucesso de deter a contaminação e reparar as avarias da plataforma afundada.

Pode ser a pior catástrofe ambiental nos Estados Unidos em décadas. Pior mesmo do que o acidente com o petroleiro Exxon Valdez, no Alasca. Centenas de espécies de aves e peixes estão sob ameaça.

Há dez dias, diversos especialistas tentam deter o vazamento e a mancha de óleo em expansão. Em 20 de abril, um acidente na plataforma de petróleo Deepwater Horizon matou 11 dos 126 trabalhadores da unidade. A estação foi afundada nas águas do Golfo do México dois dias depois.

Acidente pode superar vazamento do Exxon Valdez

Porém três vazamentos despejam diariamente no mar cerca de 800 mil litros de petróleo. Em três meses – tempo possivelmente necessário para concluir uma segunda perfuração para vedar o vazamento – já estariam ultrapassados os 41 milhões de litros despejados no oceano em 1989 pelo petroleiro Exxon Valdez.

A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, ressaltou que a petrolífera britânica BP, responsável pela plataforma deverá arcar com os custos das operações de salvamento. A empresa pediu oficialmente auxílio ao governo americano. O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que "o governo continuará empregando todos os meios ao seu alcance e, se necessário, também o Ministério da Defesa".

A BP está empregando dez robôs submarinos na região, que tentam, até agora sem sucesso, fechar os vazamentos a 1.500 metros de profundidade.

Prospecções profundas aumentam chances de acidentes

Depois do vazamento de óleo no Golfo do México, especialistas alemães alertam para outras catástrofes parecidas em plataformas do petróleo de grandes profundidades.

Com centenas de espécies, fauna do Delta do Mississipi está ameaçadaBildunterschrift: Com centenas de espécies, fauna do Delta do Mississipi está ameaçada

"Estatisticamente é muito simples. Quanto mais atividades houver, maior é a chance de ocorrerem acidentes", resume o geoquímico alemão Lorenz Schwark, da Universidade de Kiel.

O cientista afirma que os padrões de segurança para plataformas petrolíferas são suficientemente rígidos, mas lembra que, em grandes profundidades, são enormes as dificuldades tecnológicas envolvidas, em caso de problemas.

Novas reservas, como pré-sal brasileiro, são desafios

Enquanto as reservas em águas rasas vão se exaurindo, as companhias petroleiras partem em busca de fontes cada vez mais profundas, aumentando o risco de novos desastres ecológicos no mar. Isso também diz respeito à camada de pré-sal da costa brasileira.

"Reservas gigantescas estão sendo encontradas, sobretudo, em profundidades submarinas a partir dos 2 mil metros. Nessa área, a exploração vem crescendo dramaticamente, sobretudo nas costas do Brasil e do Ocidente africano ", lembrou Schwark, em entrevista ao jornal alemão Die Tageszeitung.

"Ao mesmo tempo, ela envolve grandes desafios técnicos. Nessa região só é possível se trabalhar com robôs, porque ninguém consegue mergulhar tão fundo. Além do mais, lá é escuro e vazamentos só conseguem ser reparados com dificuldade. Isso é um problema enorme", avalia.

Não há segurança total, apesar de tecnologia avançada

Apesar dos altos padrões tecnológicos, não há como garantir segurança absoluta. "Essas plataformas petrolíferas são projetos milionários, com enormes investimentos de segurança. Mas a tecnologia já chegou a tamanha complexidade que, apesar de todos os esforços, continua sempre existindo o risco de falha técnica ou humana", ressalta Christian Bussau, oceanógrafo do Greenpeace. Para ele, as empresas já trabalham nos limites do possível.

Em entrevista à emissora Deutschlandfunk, Bussau observa que o vazamento verificado na costa estadunidense é muito mais difícil de ser controlado do que em plataformas no Mar do Norte, por exemplo.

"Lá, a profundidade é de, no máximo, 200 metros e, em caso de acidente, mergulhadores podem fechar o vazamento com a ajuda de robôs", diz. O que não é mais possível no caso da Deep Water Horizon, que depende somente a assistência de máquinas. "Um robô submarino possui luzes e câmeras, mas a visão lá embaixo é extremamente ruim. E com o óleo, a visibilidade passa a ser quase zero", afirma.

Itália corre contra o tempo para conter mancha de óleo no rio Pó

 

Patrimônio da humanidade, o delta do rio Pó corre o risco de ser contaminado por mais de 400 mil litros de óleo. Vazamento foi na útlima terça-feira e autoridades acreditam em ato de sabotagem.

 

Uma corrida contra o tempo mobilizou a Itália para impedir que uma gigantesca mancha de óleo alcance o delta do rio Pó. Na última terça-feira (23/02), um vazamento de diesel e outros combustíveis às margens do rio Lambro, afluente do Pó, provocou o acidente ambiental.

Apesar de o óleo já ter coberto 200 quilômetros das águas, há a expectativa de que a mancha seja contida ainda nesta sexta-feira (26/02). "Acredito que nas próximas 24 horas conseguiremos absorver grande parte do óleo", declarou Guido Bertolaso, chefe da Defesa Civil italiana.

A maior operação se concentra, neste momento, na região de Piacenza, onde se espera conter a maior parte do problema antes que ele chegue ao território de Parma, explicou o chefe de segurança pública da cidade, Gabriele Ferrari.

Caso os esforços de barrar o óleo falhem, a mancha deve atingir o Mar Adriático no próximo domingo. Vittorio Cogliati Dezza, presidente da Legambiente, a maior associação ambientalista italiana, acusa o governo central e as autoridades regionais de "demoras inacreditáveis" e de "subestimar a situação".

Soldados italianos instalam barreira para conter óleo Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Soldados italianos instalam barreira para conter óleo

Ação intencional

As toneladas de diesel e outros combustíveis que contaminaram o maior rio italiano saíram dos tanques de armazenamento da empresa Lombarda Petroli, uma refinaria abandonada nas proximidades de Monza.

"Estamos falando de 400 mil litros", disse Ferruccio Melloni, diretor da agência de proteção ambiental Emilia Rosa. Há estimativas, no entanto, de que de 600 mil litros tenham alcançando as águas do Pó.

Segundo declarações oficiais, o caso pode se tratar de um ato de sabotagem. Os reservatórios "foram abertos por alguém que tinha familiaridade com o local e sabia como operá-los", declarou Cinzia Secchi, porta-voz do governo de Milão, um dia após o vazamento.

Impacto ambiental

A região do rio Pó abriga a mais importante zona industrial e agrícola na Itália. O delta do rio é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.

Segundo a organização WWF, o acidente coloca o ecossistema em perigo, especialmente os alagados do delta, área importante para migração e invernada de aves.

A pesca na região já foi proibida e fazendeiros temem que a contaminação possa atingir também as águas subterrâneas e canais de irrigação.

A ministra italiana do Meio Ambiente, Stefania Prestigiacomo, visitou a área afetada e pediu à Justiça que encontre rapidamente o responsável pelo desastre. Em declaração à imprensa nacional, a ministra classificou o vazamento como "um verdadeiro ataque ao meio ambiente e à saúde dos cidadãos".

 

 
 

 

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, participou, na manhã desta segunda-feira (12) da sessão de abertura da 10ª Conferência Internacional de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás, que ocorre pela primeira vez no Brasil. 

Gabrielli destacou o cuidado com a segurança, o meio ambiente e a saúde como elemento fundamental da estratégia da Petrobras. “Para a Companhia, é importante ser rentável e ter grande crescimento, mas, da mesma maneira, é importante estar voltada para as questões sociais, ambientais, de segurança e saúde”, disse. 

Para o presidente, o setor deve atuar sempre de forma sustentável, prevenindo acidentes e contribuindo para minimizar emissões, por meio da melhoria dos processos e da pesquisa de combustíveis mais limpos. “A indústria de petróleo e gás movimenta volumes gigantescos comparada a outros setores. Por isso, a responsabilidade socioambiental ganha uma dimensão especial para este setor”, lembrou. 

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, deu boas-vindas aos mais de 800 participantes do evento. Estrella preside a Conferência. 

Além do diretor e do presidente da Petrobras, compuseram a mesa o Secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, João José Souto, o Diretor da Fundação de Saúde e Segurança do Trabalho (Fundacentro), do Ministério do Trabalho e Emprego, Eduardo Azevedo da Costa, o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Petróleo, Indústria e Comércio, Júlio Bueno, e Ken Arnolds, Diretor da Sociedade de Engenheiros de Petróleo (SPE), organizadora do evento. 

A Conferência Internacional segue até o dia 14/4, no hotel Windsor Barra. Os temas em discussão estão voltados para as melhores práticas e inovações em SMS, os desafios das alterações climáticas, a responsabilidade social e a melhoria da segurança. 

 

Projeto Tamar completa 30 anos, protegendo 10 milhões de tartarugas

 

 

O Projeto Tamar, criado para proteger as tartarugas marinhas no Brasil, completa 30 anos. Neste sábado (10/4), realiza, simultaneamente, em todas as suas 23 bases de pesquisa – de Santa Catarina ao Ceará – a soltura simbólica do filhote número 10.000.000, alcançada na última temporada. A sede de Sergipe, localizada na frente do Oceanário (praia de Atalaia, em Aracaju), foi escolhida como a sede das comemorações por alcançar os melhores resultados. Em três décadas, a população de tartaruga Oliva foi multiplicada por dez, passando de 100 para 1.000 representantes da espécie.

No dia 10, a festa continua com shows a partir das 16h30, no mesmo local, com apresentação dos grupos folclóricos locais e de rock e MPB, como o Ilariô da Tartaruga. Também estarão presentes os cantores Lenine e Margareth Menezes. Os dois participaram do movimento de músicos famosos que, em apoio à causa das tartarugas, criou novas letras, musicou e gravou canções compostas por pescadores e moradores de pequenas comunidades.

“A partir de agora estamos lidando com a segunda geração de tartarugas protegidas pelo Tamar. Hoje as crianças cresceram e tiveram seus filhos”, comemora Guy Marcovaldi, coordenador nacional do Projeto Tamar. E conclui: “Se não tivéssemos interferido nessa população, a maioria das praias não teria mais essas cinco espécies de tartarugas”.

O Tamar protege cerca de 1.100 km de praias, com 23 bases mantidas em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas. Ao todo, atua em nove estados. Patrocinado pela Petrobras há 28 anos, o Projeto é coordenado pelo ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em cooperação com a Fundação Pró-Tamar.

 

Golfinho-rotador: carta à Folha de S. Paulo

 

 

Em relação à matéria “ Golfinho famoso ofusca primos em risco ”, publicada no domingo (4/4), não é verdadeira a afirmação do oceanógrafo da Furg, Eduardo Secchi, de que a empresa “investe mais em espécies que têm apelo visual e quase nada em espécies que realmente têm problemas de conservação”.

O Projeto Golfinho Rotador – que é uma espécie da qual não se tem dados ainda suficientes para afirmar que está ou não em extinção – fez com que a frequência dos cetáceos continuasse a mesma em Fernando de Noronha, desde 1990, mesmo com o crescimento do turismo local. O projeto foi um dos principais responsáveis pela publicação do Decreto Federal nº 6.698 (em 2008), que trata da preservação e proteção desses e outros cetáceos, permitindo a pesquisa científica e o aproveitamento turístico ordenado. O projeto promove ainda inúmeras ações para educação ambiental de moradores do Arquipélago. 

A Petrobras patrocina projetos ambientais em todo o Brasil, que tenham foco em três linhas de atuação: reduzam riscos de destruição de espécies e habitats aquáticos ameaçados; melhorem a qualidade dos corpos hídricos; e contribuam para a fixação de carbono e emissões evitadas de gases causadores do efeito estufa. Desde 2003, o Programa Petrobras Ambiental apoia inúmeros projetos, incluindo dezenas de bacias, ecossistemas e paisagens da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.

Veja abaixo a reportagem da Folha:

 

05/04/2010 - 17h05

Golfinho famoso ofusca primos em risco no Brasil

RICARDO MIOTO
enviado especial da Folha a Fernando de Noronha
 
O golfinho-rotador, típico de Fernando de Noronha, é o primo rico dos golfinhos brasileiros. Isso acontece por causa do patrocínio que a Petrobras oferece aos estudos com o animal, que não está em situação de risco, desde 2001.
 
Cientistas afirmam que, enquanto isso, outras espécies de golfinho do país que sofrem ameaças reais, como as toninhas do Sul, acabam ficando de lado.
 
Apesar de ofuscadas pelo rotador, há dezenas de outras espécies de golfinhos no Brasil.
 
Danilo Verpa/Folha Imagem
Golfinhos rotadores na ilha de Fernando de Noronha
Golfinhos rotadores na ilha de Fernando de Noronha
 
Para Eduardo Secchi, oceanógrafo da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), o rotador chama a atenção por frequentar águas que os turistas acessam com facilidade e por ter o hábito de se aproximar dos barcos, dando piruetas fotogênicas no ar.
 
"Hoje, infelizmente, os recursos da Petrobras são investidos mais em espécies que têm apelo visual e quase nada em espécies que realmente têm problemas de conservação, como a toninha. A espécie está colapsando, classificada como vulnerável na Lista Vermelha de animais ameaçados de extinção por causa das mortes em redes de pesca. Mas os critérios são de marketing", diz ele, que trabalha com a espécie sulina.
 
Pela metade
"Calculamos que, entre 1996 e 2004, a população de toninhas tenha caído pela metade. Mas a toninha é difícil de ser vista, não é um golfinho 'bonito', não salta", diz o oceanógrafo.
 
Além das toninhas, veio a público em 2007 que a população de botos-cinza do Amapá era vítima de uma matança. O desejo era vender os animais no mercado internacional como isca de tubarão.
 
Entre 2007 e 2010, a Petrobras gastou R$ 2,5 milhões com o rotador. "Projetos do nosso laboratório vão de R$ 20 mil a R$ 30 mil por ano", diz Secchi.
 
"Aqui não trabalhamos com nenhum financiador contínuo. Ainda existem poucos estudos no Brasil sobre como a pesca interfere na fauna marinha, por exemplo", diz o biólogo Sérgio Estima, do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental em Rio Grande (RS), que também trabalha com as toninhas.
 
"Responsabilidade ambiental é algo que a sociedade cobra", diz Luis Fernando Nery, gerente de responsabilidade social da Petrobras. "Saber focar é importante para que os trabalhos tenham sucesso."
 
Segundo ele, a política atual de empresa é acompanhar de perto uma quantidade menor de projetos, podendo assim dar mais atenção para cada um.
 
A Petrobras se concentra em cinco espécies marinhas. Além do rotador, as baleias franca e jubarte, o peixe-boi e as tartarugas do Projeto Tamar. Nery ressalta que a empresa lança editais públicos para selecionar os projetos de conservação que vai apoiar. "Temos em mente não deixar os projetos dependentes demais de nós."
 
Segundo a empresa, até 2012 já terão sido gastos perto de R$ 500 milhões em projetos da área ambiental --recursos voluntários, sem nenhum tipo de vantagem fiscal em troca.
Marcos de Oliveira Santos, biólogo da Unesp, elogia a ação da empresa. "Ela alavancou projetos realizados em longo prazo e suas equipes foram e são importantes nos árduos trabalhos de conservação, utilizando animais-bandeira em projetos guarda-chuva", diz.
"Não vejo nos recursos financeiros um empecilho maior para os estudos e conservação de mamíferos aquáticos no país. Não é só a Petrobras que financia estudos de cetáceos."
 
Dinheiro
A história do Centro Golfinho Rotador, que está completando 20 anos, se divide em antes e depois da Petrobras.
"Os recursos, no começo, eram de "paitrocínio". Gastava a minha herança", diz o oceanógrafo gaúcho José Martins, fundador do projeto.
Com o tempo, começou a perceber a necessidade de profissionalização, diz, inclusive para fortalecer a imagem do projeto.
"No começo, era eu quem dirigia o ônibus que trazia os turistas para ver as palestras de educação ambiental que eu dava. Até que me disseram: "Zé, as pessoas nunca vão achar que é o palestrante que dirige o ônibus, mas sim que é o motorista que dá a palestra.'"
Em 2001, com a criação da Petrobras Ambiental, o projeto de Martins passou a ser patrocinado. Esse braço verde da petroleira surgiu após várias crises ambientais. O final do anos 1990 foi marcado, na empresa, por sucessivos vazamentos de óleo. Em 2000, ocorrem grandes desastres ambientas na baía de Guanabara e em uma refinaria em Araucária (PR).
 
Contando crises menores, até o afundamento da P-36 em 2001, ela esteve envolvida em 95 acidentes em 15 meses.
Para os rotadores, entretanto, valeu a pena. Depois de 2001, foi possível estudar melhor a espécie. "Pude me concentrar em, por exemplo, escrever artigos científicos sem precisar ficar pensando que sou eu quem precisa ir ao banco", diz Martins. "Sem dinheiro você não consegue fazer nada."
 

O jornalista RICARDO MIOTO viajou a convite da Petrobras

 


 Confederação Nacional do Petróleo, Gás Natural,
 Biocombustíveis e Energias Renováveis

A Serviço do Desenvolvimento do BRASIL 

A CONPETRO, representa e congrega os setores da Indústria e do Comércio de Bens & Serviços da cadeia produtiva do Petróleo, Gás Natural, Biocombustíveis e Energias Renováveis do BRASIL. 

"Ética, transparência e respeito são a base da nossa relação com à sociedade".

E-Mail: Conpetro@uol.com.br, Presidencia@conpetro.com.br
            Consultoria@conpetro.com.br, ConfederacaodoPetroleo@conpetro.com.br, 

Gas Data Transparency Conference, 26th October 2010, Moscow Gas Conference transparência de dados, 26 de outubro de 2010, Moscovo

PETROBRAS SEBRAE PROMINP       

 
  Site Map